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Entenda os possíveis efeitos da retenção dos tributos no momento do pagamento e como a contabilidade pode ajudar sua empresa a se preparar

Capital de giro é um dos principais indicadores da capacidade financeira de uma empresa. É ele que sustenta as operações do dia a dia enquanto existe uma diferença entre o momento em que a organização precisa pagar seus compromissos e aquele em que efetivamente recebe pelas vendas realizadas.

É justamente nesse intervalo que o planejamento financeiro e contábil ganha importância.

Com as mudanças trazidas pela Reforma Tributária e a implementação gradual do split payment, as empresas precisarão reavaliar como administram o caixa, os créditos tributários e o planejamento de suas operações.

A mudança merece atenção porque pode alterar a dinâmica financeira que muitas empresas utilizam atualmente para administrar seus recursos.

Por que o capital de giro é tão importante?

Na prática, uma empresa pode vender, gerar receita e, ainda assim, enfrentar dificuldades financeiras caso os recursos não entrem no caixa no momento necessário para cobrir suas obrigações.

Isso acontece porque existe uma diferença entre o ciclo econômico, relacionado à compra e venda de produtos ou serviços, e o ciclo financeiro, que considera os pagamentos aos fornecedores e o recebimento dos clientes.

Quando esse intervalo não é bem administrado, pode surgir o chamado efeito tesoura: a empresa cresce, mas o aumento das vendas acaba consumindo o caixa em um ritmo superior à capacidade de recuperação dos recursos.

Por isso, acompanhar o capital de giro não significa apenas observar quanto dinheiro existe na conta bancária. É necessário analisar a qualidade e a liquidez dos ativos e confrontá-los com as obrigações de curto prazo.

Uma das fórmulas utilizadas nessa análise é:

CGL = Ativo Circulante – Passivo Circulante

Esse cálculo permite avaliar a disponibilidade líquida da empresa para financiar suas atividades correntes.

O que precisa ser observado no Ativo Circulante?

A análise contábil deve considerar quais recursos estão efetivamente disponíveis e qual é o grau de liquidez de cada componente.

Entre os principais pontos estão:

  • Disponibilidades e aplicações financeiras: representam recursos que podem ser utilizados com maior rapidez para cumprir obrigações de curto prazo.
  • Contas a receber: correspondem aos valores que a empresa tem direito de receber e exigem acompanhamento de inadimplência e provisões adequadas.
  • Estoques: possuem menor liquidez e precisam de controle para evitar excesso de produtos, capital imobilizado e perdas de valor.

Como medida de segurança financeira, a recomendação apresentada é constituir uma reserva equivalente a seis meses das despesas operacionais fixas registradas na Demonstração do Resultado do Exercício (DRE).

A formação dessa reserva cria uma margem de segurança para a operação e reduz a necessidade de recorrer a passivos mais onerosos em momentos de pressão sobre o caixa.

Onde entra o Split Payment?

A Reforma Tributária traz uma mudança importante na maneira como os tributos sobre o consumo serão apurados e recolhidos.

Em 2026, a fase de testes da CBS e do IBS está relacionada às obrigações acessórias na emissão dos documentos fiscais. A partir de 2027, entretanto, a implementação do split payment introduz uma nova dinâmica para o recolhimento dos tributos.

No modelo atual, o imposto apurado mensalmente permanece temporariamente no caixa da empresa até o momento do respectivo pagamento, conforme o regime e a obrigação aplicáveis.

Com o split payment, o tributo será separado no momento do pagamento da operação, reduzindo esse intervalo entre o recebimento da venda e o recolhimento do imposto.

Para empresas que dependem desse intervalo financeiro para administrar o capital de giro, a mudança exige atenção.

Créditos tributários também entram nessa equação

Outro ponto relevante está relacionado ao aproveitamento dos créditos tributários.

A tomada de créditos sobre determinadas compras e insumos dependerá da efetiva comprovação do recolhimento pelo fornecedor. Conforme a matéria-base, os prazos relacionados a ressarcimento ou compensação podem variar entre 30 e 180 dias.

Isso cria um possível descompasso financeiro: de um lado, o tributo pode ser recolhido de forma mais imediata; de outro, o aproveitamento de determinados créditos pode ocorrer posteriormente.

Por esse motivo, o impacto não deve ser analisado somente pelo departamento fiscal.

É necessário avaliar como essa nova dinâmica poderá refletir no fluxo de caixa, no planejamento orçamentário e no plano de contas da empresa.

Como a contabilidade pode ajudar na preparação?

A preparação para as mudanças começa antes da implementação efetiva.

Contabilidade e gestão financeira precisam trabalhar de forma integrada para entender como a nova sistemática poderá afetar cada operação.

Um dos primeiros passos é realizar uma conciliação detalhada dos ciclos financeiros e operacionais, observando:

  • prazo médio de estocagem;
  • prazo de recebimento das vendas;
  • prazo de pagamento aos fornecedores;
  • necessidade de capital de giro;
  • disponibilidade financeira;
  • créditos tributários.

Outro ponto fundamental é revisar os créditos tributários existentes e a classificação fiscal das compras.

Uma auditoria criteriosa pode ajudar a identificar se os processos atuais estão preparados para o aproveitamento adequado dos créditos de IBS e CBS dentro da nova estrutura tributária.

Revisar preços também será necessário

As mudanças tributárias podem exigir uma nova avaliação da formação dos preços.

Com a alteração da dinâmica de recolhimento e aproveitamento dos créditos, a empresa precisa compreender qual será sua margem efetiva em cada operação.

Essa análise permite avaliar se os preços praticados continuam adequados diante da nova estrutura de custos e tributos.

Mais do que simplesmente aumentar ou reduzir preços, o objetivo é entender como a mudança tributária afeta a rentabilidade e o caixa da operação.

É justamente nesse ponto que uma análise contábil e financeira integrada pode fazer diferença.

2026 é o momento de preparar o caixa

Para empresas que ainda não começaram a avaliar os possíveis efeitos do split payment, 2026 representa uma oportunidade para estruturar processos, revisar números e fortalecer a reserva financeira antes das mudanças estruturantes previstas para 2027.

Entre as medidas que podem ser consideradas estão:

  1. Reavaliar a necessidade de capital de giro com base nos ciclos atuais da empresa.
  2. Mapear os créditos tributários e revisar a classificação fiscal das compras.
  3. Projetar diferentes cenários de fluxo de caixa considerando a nova dinâmica de recolhimento.
  4. Revisar a formação dos preços e as margens efetivas das operações.
  5. Fortalecer a reserva financeira, priorizando ativos circulantes de maior liquidez.
  6. Integrar contabilidade e gestão financeira para acompanhar os impactos da transição.

O objetivo é evitar que uma mudança tributária se transforme, na prática, em um problema de liquidez.

Sua empresa está preparada para o Split Payment?

O impacto de uma mudança tributária não termina na apuração dos impostos. Ele pode chegar ao preço, à margem, ao planejamento financeiro e, principalmente, ao caixa.

Por isso, antecipar a análise é fundamental.

Quanto mais cedo a empresa compreender como o split payment pode afetar sua operação, mais tempo terá para ajustar processos, revisar o planejamento e estruturar uma reserva financeira adequada.

A AB Assessores e Consultores pode ajudar sua empresa a analisar esse cenário e se preparar para as mudanças da Reforma Tributária.

Entre em contato com nossa equipe para avaliar a realidade do seu negócio, identificar pontos de atenção e estruturar um planejamento contábil e financeiro mais preparado para a nova dinâmica tributária.

Fale com a AB Assessores e Consultores e prepare sua empresa hoje para as mudanças que vêm pela frente.

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